Em minhas andanças, geralmente, muitas coisas chamam a minha atenção. Dessa vez, houve uma casa com portas e janelas muito bem pintadas cuja beleza me atraiu. Depois, uma palavra que reconheci e, ao mesmo tempo estranhei. Foi o caso de "talho" que vi em uma fachada de casa de comércio. O estranhamento inicial foi substituído pelo reconhecimento seguido de uma interjeição: Ah! É o que no Brasil chamamos açougue.
Costumam chamar a minha atenção também, os anúncios nas placas em frente às lojas. Nesse dia, em uma padaria, li o anúncio: o melhor pastel de nata de Portugal. Para alguém que adora doces como eu, o anúncio foi um convite irresistível! Apesar de meus exames recentes de glicose sugerirem moderação, cedi à tentação. Entrei e pedi um café e um pastel de natas. Este era um pouco maior do que os que já havia comido aqui em Portugal. Mistura ideal de uma casca crocante e um creme de natas de lambuzar os dedos e os beiços. Não posso confirmar que merece o título de melhor de Portugal. Ainda tenho muitos a experimentar nesse país! Porém este estava delicioso.
E foi nesse flanar que em um muro, um cartazete manuscrito recebeu o meu olhar.
Nele estava escrito:
"Rapaz sério carinhoso trabalhador com vida estável pretende conhecer rapariga séria com boa apresentação idade entre 21 a 40 a. Para simples amizade ou futuro compromisso."
O seu teor esperançoso mexeu comigo. Um misto de surpresa e ternura, ao ver anúncio tão simples. Terá sido o rapaz bem sucedido?
Nestes tempos em que a legislação sobre imigração em Portugal está em debate, criando sérias restrições à entrada de estrangeiros por aqui, encontrei um apelo quase ingênuo de um rapaz, que supus imigrante. Nele, vi a esperança de uma vida melhor em outras terras de alguém que por alguma razão desconhecida, porém imaginável, não pode ser feliz em sua pátria.
Há dois dias, a imprensa local anunciou que o decreto do parlamento português sobre imigração teve pontos considerados inconstitucionais e foi vetado pelo presidente. No entanto, há a intenção do governo atual a voltar à carga.
Nesse interím, as imigrações continuam. E mais jovens esperançosos podem vir a esta terra hospitaleira em busca de uma simples amizade ou futuro compromisso. Longa vida à esperança, que é sempre a última que .morre.
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