quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Crônicas Portuguesas 7 - Sorte ou azar do caralho?

 

Começo essa crônica lembrando de uma frase ouvida de um atendente em uma padaria e pastelaria de Lagos. Lembre-se, pastelaria é confeitaria aqui em Portugal. Havíamos deixado nossas roupas em uma lavanderia, ou lavandaria como dizem aqui, de autosserviço. O ciclo de lavagem duraria pouco mais de trinta minutos. Minha companheira e eu seguimos a sugestão de outra cliente da lavandaria:
_ Ali na frente tem uma pastelaria ótima.
Nossa intenção era tomar um café ou outra bebida gelada. O calor matinal estava já muito forte. Vimos no cardápio uns drinques gelados com frutas tropicais. Pareceu uma boa pedida. Ao escolhermos e pedirmos, o atendente pediu para confirmarmos os números das bebidas no cardápio, só para ter certeza do que pedíramos. Dois ou três minutos depois ele voltou:
_ A máquina quebrou! Azar do caralho!
Além de rir da expressão, só nos restou a opção de tomarmos um sumo de laranja. Espremido na hora. Gelado. Nosso conhecido suco de laranja.
Por vários dias, talvez mais de uma semana, levei comigo a intenção de escrever algo sobre a expressão usada pelo atendente. Mas, faltava a inspiração.
Hoje, depois de um dia de trabalho, tivemos a oportunidade de passar algumas horas na Meia Praia em Lagos. Para nossa sorte, o horário de verão europeu permite dia claro até por volta das nove horas. Assim, entre 16 e 19 horas, ainda é um período agradável à beira-mar.
As praias por aqui tem partes públicas e partes sob  concessão. Nestas é possível alugar cadeiras de praia ou espreguiçadeiras e um guarda-sol, ou tenda, como aqui chamam. Estruturas fixas na areia da praia, com uma cobertura  que lembra um chapéu chinês. Os nossos guarda- sóis aqui são chamados chapéus-de-sol. Pelo menos nessa parte de Portugal.
O aluguel por um dia inteiro, de uma tenda e duas espreguiçadeiras, custa 15 euros. Após as 15 horas, o preço cai para 10 euros. Por duas vezes, no entanto, chegamos à Meia Praia, após as quinze horas e tivemos a sorte de não aparecer ninguém para cobrar. Hoje foi a segunda vez. Sorte do caralho!
Pois é, nossa estadia em terras algarvianas está se aproximando de seu fim. Dia 10 embarcaremos de volta para o Brasil. Porém no dia 8, já retornaremos a Lisboa para os compromissos finais dessa viagem de estudos para mim e de residência criativa para minha companheira.
Pensando bem, foram poucas as vezes que a boa fortuna não nos favoreceu nessa viagem. Além de muita leitura, análises e  reflexão, e alguma produção escrita, inclusive esta série de crônicas, levo comigo dessa viagem, uma admiração grande por esta bela região de Portugal onde ficamos quase 30 dias. Uma sorte do caralho!
Como foi a sorte de ver esse cachorro na janela de sua casa. Estávamos na cobertura da casa onde vivemos as três últimas semanas em Lagos. Minha companheira foi quem o viu pela primeira vez há três dias. Hoje lá estava ele de novo! É ou não é uma sorte do caralho poder levar este registro fotográfico do cachorro namoradeiro da rua Infante de Sagres em Lagos? Será uma memória inesquecível desse curto período em Lagos.

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