terça-feira, 29 de julho de 2025

Crônicas portuguesas 1 - Falamos a mesma língua

Desde ontem estamos em Portugal. Nossa primeira parada é em Almada por onze dias. Depois de dez anos, retorno às terras lusitanas. Dessa vez para uma estada mais longa. Serão 45 dias entre Almada, Lisboa e Lagos, no Algarve.
Após a chegada no aeroporto de Lisboa, uma espera de duas horas para os trâmites de imigração. O oficial me indagou algo que não entendi bem. Apesar de falarmos o mesmo idioma. Pensei que me perguntara porque estávamos vindo para Portugal e por quanto tempo. Na verdade, queria saber porque estávamos naquela fila e não em outra.
A resposta foi simples: porque seu colega mandou. Satisfeito com a resposta, e informado por mim de que ficaríamos 45 dias, apenas pediu para ver a passagem de volta. Ao mostrar-lhe no aplicativo da companhia aérea não nos perguntou mais nada. Com os passaportes carimbados, fomos em busca de nossa bagagem, pegamos um táxi e 25 minutos depois estávamos no apartamento que uma amiga nos emprestou, localizado na Cova da Piedade, em Almada.
Instalados, dormimos um par de horas. Talvez mais. Ao despertarmos, já na hora do almoço, decidimos caminhar um pouco até o restaurante Jardim, no Largo 5 de Outubro. Uma das sugestões de nossa anfitriã. Muito próximo de onde estamos. Na leitura do cardápio, algumas dúvidas. Falamos a mesma língua, mas às vezes as coisas se complicam. Um prato me chamou a atenção: bacalhau com grãos. Seriam grãos de bico? Por segurança, perguntei à garçonete, por acaso brasileira, sobre os grãos. Estava certo. Eram grãos de bico.
Depois do almoço, voltamos para o apartamento. Mais algumas horas de descanso. A viagem fora cansativa. Adormecemos de novo. Ao final da tarde, por sugestão de nossa amiga, caminhamos até Cacilhas, de cujo cais parte o transporte para o Cais do Sodré, em Lisboa. Uma boa caminhada de 30 minutos.
Lá chegando, passeamos por uma rua muito simpática, com diversos restaurantes e lojas. Uma parada para atender a um dos meus vícios: sorvete. Bem em frente à primeira loja de canabis da cidade. Para outro tipo de vício! De outros, não meu. Sem nenhum preconceito. Cada um com os seus, e a vida continua!
Ao final do passeio, chegou o momento de atender a outro desejo: um chope gelado. Escolhemos um lugar de frente para o cais. Enquanto esperava algum atendente, percebi que ninguém se aproximava. Olhei ao redor. Em uma das paredes do local, um aviso: pré-pagamento, sem serviço de esplanada. Não foi difícil deduzir: tinha que ir ao balcão interior, pedir o que queria, pagar e trazer à minha mesa. Afinal, falamos a mesma língua!
Porém, não foi tão simples assim. Ao pedir duas cervejas, a atendente me perguntou: qual tamanho? Ao perceber-me em dúvida, adicionou: caneca ou tulipa. O problema foi que não queria nenhuma das duas medidas. Ela me ofereceu a terceira alternativa. Falou tão rápido que não consegui entender o nome. Me soou a algo terminado em iel. Pedi que me mostrasse por favor, me desculpando ao mesmo tempo.
Era o tamanho que queria. Que havia visto sobre algumas mesas. Intermediário entre tulipa e caneca. Antes de irmos embora, resolvi tomar mais um. Minha companheira foi até o balcão. Levou o copo para mostrar o tamanho desejado. E descobriu o nome da medida: imperial. Agora me diga você: tão simples, por que não entendi?
A resposta óbvia está no sotaque e na velocidade em que a palavra foi dita. Consegui captar a primeira letra e o final, de forma equivocada. Mas, a história quase acaba aí.
Consultando a Internet, descobri que no Norte de Portugal, não devo pedir um imperial. A medida por lá é chamada de fino. Bom saber! Nunca se sabe quando tentarei saciar a sede com uma cerveja gelada no Norte de Portugal. Por enquanto, nossos planos incluem ir apenas até o Algarve nessa temporada. É provável que naquelas terras um imperial seja a palavra certa. De qualquer forma, na dúvida, serve uma tulipa ou uma caneca. O que importa é a temperatura adequada e a boa companhia.


3 comentários:

  1. Sim, meu estimado amigo Fernando. Eu também passei alguns bons vexames nesta terra. Mas hoje, ficaram as lembranças para boas gargalhadas e as saudades.

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    1. Laodicéia Weersma - Estive na zona centro e norte de Portugal

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  2. Nem parece que falamos a mesma língua e que acolhemos os povos portugueses como irmãos e eles nos tratam como estrangeiros que estão invadindo o país deles. Deveriam tratar os brasileiros como tratamos eles quando chegam no Brasil.

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