Salta para 2025. Cinquenta anos se passaram. Aos 68 anos, me preparo para outra viagem. E, de repente, o sorriso do pequeno engraxate vem me assombrar. Ainda! Naquele longínquo 1975, o descaso da sociedade marcava presença no trabalho infantil escancarado na praça londrinense.
Em ano incerto, já em Curitiba, entre 2003 e 2017, em um banco de praça, um cadáver. Sentado. Maltrapilho. Passei por ele em uma manhã de inverno. A caminho do cinema. Era um sábado. Ao passar, policiais se aproximaram do homem sentado. Um lhe tocou. O corpo caiu. Eles e eu, nos demos conta: estava morto. Segui meu caminho.
Hoje, domingo de inverno, no grupo de haijins, a sugestão de kigo: dia gélido. Surgiu o haicai. Espectro de minhas andanças pelo mundo.
Em um dia gélido
o mendigo não desperta -
Descaso na praça.
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