Último domingo de junho na fria Curitiba. No décimo-primeiro dia do inverno de 2024, a manhã nasceu com o termômetro a 3 graus. Por volta das nove horas, céu azul e limpo, me decido por uma caminhada matinal. Junto o útil ao agradável. Preciso comprar alguns poucos suprimentos e, a caminho do mercado, busco também os raios de sol para aquecer o corpo.
Na avenida, alguns cartazes afixados em postes atraem meu olhar. Parecem ser recentes. Alguém oferecendo serviços: união de casais e amarração para o amor. Com um detalhe importante: pagamento somente após o resultado! Um telefone de contato. Prefixo da cidade de São Paulo. Algum paulistano expandindo os negócios para a capital paranaense, ou apenas passando uma temporada em terras curitibanas? Impossível responder. Mas, não importa. Já vi, em outros momentos, ofertas semelhantes no centro da cidade. É a primeira vez no bairro em que moro.
Com minha formação nas ciências administrativas, me surgem dúvidas; Como será que funciona esse serviço? Que garantia é essa de resultado? Por quanto tempo se deve esperar? E se depois de um tempo, o amor se desatar? Devolve o dinheiro? E mais, tem como contratar uma garantia expandida, assim como as redes de varejo nos oferecem na compra de eletroeletrônicos?
Porém, me ponho a refletir sobre quem pode querer se valer de serviço? É um serviço pessoal, para quem está com medo de ficar só? Ou, pode ser um serviço para casais já formados, possivelmente em crise, que ao invés da terapia de casal, partem em busca de uma amarração?
E ainda mais. Será cego o nó que surge desse laço? Impossível de desatar. Só se for cortado com alguma faca ou tesoura não cegas. Se o serviço é solicitado apenas por uma das partes dos casais, a outra parte terá consciência da amarração? Ou não? Sofrerá apenas os apertos das amarras, sem saber o que lhe ocorre?
E, por fim, a parte que se vale do serviço ficará feliz com o resultado? Ficará insegura quanto à firmeza da amarração? Como se sentirá sabendo que o outro amarrado pode estar tentando desatar o nó? Ou pior ainda, se bater um arrependimento, tem como desfazer o nó?
Por outro lado, pode ser que a amarração dure apenas uma estação. E, nesse caso, o amarrador, isto é, o prestador de serviço, voltando a pensar na minha lógica administrativa, escolheu a época certa para divulgar os seus serviços. Nada como um amor amarrado para esquentar as frias noites de inverno ao sul do Equador.
Muito bom ver o cotidiano em letras.
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