Sob um guarda-sol, em uma cadeira de praia, observo o movimento do mar. Na praia do Mar de Fora, Ilha do Mel, o sol se esconde atrás das nuvens. Uma brisa vinda do mar agita as bandeiras colocadas pelos guarda-vidas e as franjas dos guarda-sóis.
Um navio cargueiro aponta na saída do Morro da Gruta. Lentamente passa entre as boias vermelha e verde que assinalam o trajeto a seguir. Vai ficando cada vez menor conforme se afasta em direção ao alto mar. De repente, some de vista. Para alguns, evidência mais que suficiente da curvatura da terra. Para outros, em um passe de mágica, some o navio! Independente do grupo que integre, continue comigo.
Meu olhar é atraído agora por um cão que sai das águas do mar. Grande e como um labrador, porém me pareceu de raça indefinida. Após chacoalhar o corpo expulsando parte da umidade dos pelos, rola pela areia já distante do mar. Caminha um pouco pela praia. Mais à frente retorna para dentro do mar. Fica apenas com a cabeça de fora e se balança com o vai-e-vem das ondas que quebram. Parece não ter dono. Depois de um tempo, desaparece na restinga à beira-mar. Para mim, uma evidência da liberdade canina. O que será que busca após seu banho de mar? Água? Comida? Ou uma sombra para uma soneca? Não tenho a resposta.
De repente, vejo um homem caminhando paralelamente ao mar. Se parece com alguém já visto outro dia. Talvez por isso, o sigo com o olhar. Tento localizá-lo na memória recente. Sem sucesso. Entra no mar. Meu olhar agora é atraído pela mulher que cruza diagonalmente a areia. Se dirige ao ponto em que o homem entrara no mar. Em uma de suas mãos, carrega uma camiseta e um boné. Ela também veste boné e camiseta. Se abaixa e pega os chinelos do homem que entrara no mar. Pela aparência, deve ser sua esposa. No seu ato, enxergo, a evidência de uma relação de servir. Subserviência? Um acordo conveniente a ambos? Um mero ato de gentileza com o parceiro? Assim como no caso do cão, não tenho a resposta. Seja o que for, nesse momento é apenas uma das cenas de praia.
Me levanto e busco uma caipirinha, De limão e cachaça. A brisa marítima contínua forte.
E o sol escapou das nuvens. Me ajeito sob a sombra do guarda-sol. E escrevo.
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